domingo, 4 de março de 2007

Todo sertanejo tem um fascínio pelo mar

Pois nas abas do chapéu queimado pelo sol e surrado pelo tempo, vão e vêm gotículas de lembranças. Os olhos irradiam uma nuvem espessa de felicidade e paz. Tira o chapéu e cumprimenta o mar. Não banha-se e benze-se, inicialmente, pois este costume não é de seu conhecimento. Prefere cumprimentar aquele “açudão” agitado, que mais se assemelha a um boi enfurecido. Tempos de criança reaparecem em questão de alguns segundos na sua mente, quando brinca, inocentemente, com a água. Chuta, corre, cai e mergulha... Da pele seca castigada pelo sol sertanejo, ressurge a camada encharcada e salina, brilhante como o luar sertanejo. E as ondas vêm e vão, assim como a seca, assim como a plantação. E, enquanto brinca com a água, momentos peculiares são apagados, como por exemplo, os dias em que teve que aboiar gados secos e quase mortos, pelo chão tórrido do sertão, à procura de uma poça de lama e de um resto do subnitrato do pó de um capim seco. E os gados mugiam tristes, pareciam lamentar insistentemente pela vida. Mas, ao ver as algas verdes, lembrou da época em que a chuva abençoava o seu querido pedaço de chão, trazendo com ela, as boas novas da esperança. Mas, por que será que todo sertanejo tem um fascínio pelo mar? Talvez pelo fato de o mar trazer com ele vestígios de um mundo inimaginável e ininteligível, algo semelhante ao paraíso. Mas acredito mesmo que seja pelo fato de o oceano ser sinônimo de paz. Azul-esverdeado ou verde-azulado... lembra céu num dia de sol... lembra paz! Movimento intermitente de ondas, também lembra paz! Porque a paz não é a constância e sim a inconstância dinâmica da vida! E, assim, o sertanejo volta para o seu sertão, local de lembranças infindas, com a lembrança inesquecível de um dia poder ter entregado a sua alma ao mar.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

No horizonte

Respiro o doce dos teus olhos
quando a falta tua
inspira em mim
a quase indissolúvel saudade

Prazer imenso tenho ao inalar a cor azul
do teu sorriso
no riso
nu

Rio minha canção
na tua música
E sorrio meus beijos
em teu coração

Corro ao vento,
suspiro o desejo,
degusto o tempo,
e te faço um solfejo

E assim vivo livre
preso ao sentimento
que me prende
livre em teus braços!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

O crescendo

A semente já havia germinado,
mas, por desvios do caminho,
enzimas interromperam
o seu crescimento.

A semente foi crescendo,
aos poucos,
forte,
e linda!

Hoje,
é uma arvore dentro de mim
à dispersar teu sabor,
teu fulgor,
tuas sementes
num ciclo fechado
dentro de mim!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Breve conversa com o tempo

Hoje à tarde
Fiquei de prosa com o tempo.
Rimos como velhos amigos,
Como novos,
Como eternos.

E hoje o amor
Estremece, mais uma vez,
As paredes do meu coração.

E,
Por intermédio do tempo,
Marquei um encontro
Com o amor
No futuro!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

O primeiro triste 29/01


Hoje ele faria 90 anos...
Tão vivo nas fotos
que é difícil acreditar
que ele se foi...
As lembranças apertam meu coração,
e as lágrimas escorrem pelo meu rosto...
Feliz Aniversário, Grande Velho Jovem!


Foto tirada provavelmente em fevereiro de 2005

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

De como, às vezes, a realidade é impalatável

Dizer-te o quanto eu gosto de ti,
completamente,
é utópico, inimaginável,
tamanha a grandiosidade
do meu sentimento.

Expressar é tão fácil
e tão gostoso, ao mesmo tempo,
e, ao mesmo tempo também,
tão complicado,
devido à realidade cruel.

Teus olhos,
que se desencontram dos meus
quando tua timidez aflora-se,
são o oceano
que tanto gosto de mergulhar.

Teu lindo sorriso
é a minha certeza
de que ainda posso ser feliz..
É a paisagem mais linda
e mais bem talhada pela natureza.

E Teu abraço,
e Teu calor,
e teu cheiro,
são o refúgio caloroso
e reconfortante
quando, lá fora,
o frio me assola.

Teus beijos.
Teus beijos!
E,
mais uma vez,
teus beijos!
Conduzem-me a uma viagem
ao âmago da felicidade
e do prazer.

Você,
presente lindo do destino,
mostrou-me e mostra-me
à cada dia,
à cada hora,
à cada segundo,
que meu coração,
mesmo castigado pelos amores passados,
ainda é capaz de bater forte por alguém;
por ti.

Mas
o oceano não é meu,
a paisagem não é minha,
o refúgio não é meu,
as viagens não são minhas;
tu não és minha.

Oh, realidade cruel,
tu a tiraste dos meus braços
e fizeste-me seguir impreciso,
perdido numa estrada perdida,
num lugar perdido
perdido no nada
perdido.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Devaneios


Resolvi republicar este texto, pois gosto da mensagem que ele transmite, principalmente nesse ínicio de ano, onde, de certa forma, renovamos as nossas esperanças! Um feliz 2007!

Olha e vê um futuro... pensa em segui-lo, mas logo vem um pensamento que o faz parar e refletir. Refletir sobre o seu passado, analisar erros cometidos e tentar aprender mais com eles, triunfar e agradecer por cada acerto. Brisa mediana balança os pequenos ramos que estão a sustentá-lo, reconfortando sua alma e a enchendo de esperança. Esperança de dias melhores, de um tempo novo, de um verão a prevalecer em seu coração... e aí então pensa no gelo que está a recobri-lo naquele momento e sorri, pois percebe que aquela espessa camada começou a se derreter. Olha a sua volta e tudo está pintado com esperança. Olha com curiosidade para o sol e vê então a felicidade por trás dele. Então, sem hesitar, abre suas asas e voa sem parar, com brilhos evidentes em seus olhos e lágrimas de alegria renovando seu estado de espírito. Estava confirmado: Seria feliz porque assim desejava e não pouparia energias para de alguma forma então, alcançá-la.


AUTOR DA FOTO - João Vinhas Reis