E agora me encontro
Mergulhado no que mais detesto
E o que me assombra é o que mais me atinge
E leva as minhas energias ao resto
E das vibrações ideais
Sobraram as vibrações
Tão inexplicáveis
E indescritíveis
E das cores
Somaram-se todas
Mas não há soma
Não há nada
E a inexequibilidade
Tão evidente
Esmorece tudo
Até a existência do que é são
Mas não há mergulho profundo
Que o oxigênio deixe de existir:
Da fresta pequena na telha
Que cega aos olhos, caso eu veja
A cinza voará alto
E cairá novamente com a chuva
Saturando a alma
Com aquilo que é são!
segunda-feira, 22 de abril de 2013
quinta-feira, 28 de março de 2013
Visita ao Âmago
E teus sorrisos digitais
Que um dia foram meus analógicos
Me faz querer ser ultrapassado
E tê-los para sempre reais
E teus escritos virtuais
Não mais são para mim
De tudo aquilo que é fim
Sobraram manuais
A certeza é real:
Entre calendários e paixões
Carros e caminhões
O pulsar não terá final
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Pombo do horizonte
Preciso dormir.
Viajar para um mundo
do eterno sorrir
Por um segundo
horas a fio.
Profundo
Enxergar a minha felicidade;
Ver paisagens novas.
Vaidade?
Se um dia eu for
para a eternidade,
onde ninguém possa me ver,
esperar-me-á?
Se um dia eu for só lembrança
que vem com a alvorada
que aparece do nada
lembrar-me-á?
Se um dia eu for
apenas fotografia
de um dia de paz
acalmar-se-á?
São palpitações de um coração
que quer voar
para qualquer lugar
e saber que um dia
voltará
"...fly away skyline pigeon fly
towards the dreams
You've left so very far behind..."
"...fly away skyline pigeon fly
towards the dreams
You've left so very far behind..."
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Poço de nada inimaginável
Cansaço atinge
Querendo fazer parar
Forças a tirar
Espalhando desânimo
De esfinge.
Ao além chama
E o chão recobrirá
Desanimado
Inanimado
Sedado
Fundo.
Partículas de um protótipo
O traçado
foi à traça
e a chegada
ao chão.
Senão:
contradição
aos meus pensamentos.
Tormento
intento ao ar
Propagar
na imensidão
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
A maldição
Guardou-o. Com toda a magia
existente, guardou-o. Queria manda-lo para a eternidade e foi exatamente isso
que ela fez, pois havia descoberto, enfim, uma maneira. Mas, então, aquele
precioso ficaria guardado por séculos, milênios talvez, até que alguém o encontrasse.
Melhor, até que O Alguém o encontrasse. O precioso não poderia mais ficar sob a
luz do sol, sob a pena de queimar nas profundezas eternas do inferno. O seu sol tornou-se a lua e o seu dia, a
escuridão. Seria eterno, mas com tais condições.
Janice sempre foi apaixonada por
Flinston. Sim, o nome do cara era Flinston e a origem é exatamente essa que
você está pensando: Os pais dele se chamavam Fred e Vilma, daí a homenagem. Mas
voltando, Janice conheceu Flinston no colégio e ficou encantada com o nome
exótico daquele menino. De brincadeiras inocentes, surgiu a paixão e o amor.
Beijos na hora do recreio, “JF” pintado de corretivo nas carteiras, juras de
amor eterno, a primeira vez, a segunda, a terceira, a quarta, o sonhado
casamento, o nome dos filhos. Ah, o nome dos filhos: se fosse menina, “Pedrita”! Previsível, não!?
Mas a vilã dos pesadelos de
Janice estava para chegar. Aquela que queria ter Flinston só para ela, o beijo
de Flinston, o cheiro de Flinston, o olhar de Flinston, o sorriso de Flinston,
o suor de Flinston, a mão de Flinston, o instrumento de Flinston, enfim
Flinston, se chamava Valdirene. E Flinston não resistiu aos encantos daquela
forasteira linda, a garota mais linda que ele já havia visto. Esqueceu de todo
o passado, toda a paixão, todo o amor e deixou Janice para trás.
Janice era somente lágrimas. Não
conseguia esquecer tudo aquilo. Não conseguia compreender como Flinston a havia
deixado. Se não era possível tê-lo em seus braços naquele momento, como tê-lo
para sempre?
Surgiu-lhe a tal idéia: era filha
de pai de santo e alguma mandinga havia de ter. Pegou o que havia de mais
precioso, o beijo dos dois que, de acordo com as suas palavras, eram os
melhores beijos do mundo, os mais gostosos e indescritíveis, e deu-lhe, para
sempre, a maldição vampírica.
Guardou-o. Com toda a magia
existente, guardou-o. Queria manda-lo para a eternidade e foi exatamente isso
que ela fez, pois havia descoberto, enfim, uma maneira. E o precioso, pela
eternidade, jamais se alimentaria do pulsar de um amor verdadeiro, mas dos
sangues inocentes que perpassassem ali, com toda a sanguinolência que lhe fosse
permitido.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Deixa eu te olhar
Dia se vai
o sol deitou.
A noite cai
Serenou.
E lá no canto
No alto da serra
De olhos abertos para a terra
Sem nenhum espanto
Canta o seu canto
De medo, não fuja!
Linda Coruja
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