sábado, 28 de abril de 2007

Eu, paisagista

Pobre jardim...
plantas crescem,
plantas florescem,
plantas morrem,
plantas apodrecem.
Mas deram bons frutos
(ou não).

Agora cuido do meu jardim.
O vento trará boas sementes e
plantas crescerão e florescerão.
Molho, deixo o sol entrar.
Paisagem a meu modo,
jardim a se estruturar.

E assim novos visitantes
virão ao meu jardim,
sentirão o néctar das flores
e permanecerão nele,
ou não...

domingo, 22 de abril de 2007

Hoje

Hoje eu acordei sem vontade de me preocupar com o tempo
Hoje eu quero viver o dia intensamente
Hoje o ontem já não importa
Hoje eu modifico o amanhã
E amanhã estarei vivendo o hoje
E ontem eu já não sou mais
Hoje eu quero me entregar
Hoje eu não quero trabalhar
Hoje eu fui ver o mar...

quarta-feira, 21 de março de 2007

Histórias da roça

Fim de tarde na roça. Após o pôr-do-sol, o azul escuro da noite se mistura com os últimos raios de sol, formando aquela camada laranja-escura. Os pássaros emitem os seus últimos cantos e preparam-se para dormir. Quem ainda permanece acordada e cantando é a cigarra. Foi-se mais um dia, animado e feliz, como os dias na roça são, para um menino criado na cidade. Andar à cavalo, brincar com cachorros, passear pela roça, jogar bola... são tantos os prazeres de se estar no campo, totalmente desplugado da cidade. Fim de tarde, casa escura: é hora de acender os candeeiros. Candeeiros acesos, e a casa já fica com clima de noite. E o café? E a janta? Tem que acender o fogâo à lenha! E menino já gosta de brincar com fogo... "Deixa isso aí, menino! Quer se queimar?" Mas, e o banho? Tomar banho na fonte é uma maravilha! Os pudores da cidade acabam nos preocupando, às vezes, mas é tão bom ficar niu em contato com a natureza! Porém, tomar banho na fonte depois do fim de tarde é cruel: o frio não perdoa! E puxa a àgua do balde, e toma banho, e se esfrega, e se treme dos pés à cabeça, e corre para se enxugar logo... Banho tomado, volta para casa. A noite já caiu, e o caminho está totalmente escuro. Um breu enorme! É muito bom andar no escuro. E o céu na roça é muito mais bonito, tem muito mais estrelas! Ao chegar em casa, cheirinho da fumaça e da janta cheirosa! "Mãe, quero jantar!" E na casa, aquela festa familiar que só a roça proporciona!

domingo, 4 de março de 2007

Todo sertanejo tem um fascínio pelo mar

Pois nas abas do chapéu queimado pelo sol e surrado pelo tempo, vão e vêm gotículas de lembranças. Os olhos irradiam uma nuvem espessa de felicidade e paz. Tira o chapéu e cumprimenta o mar. Não banha-se e benze-se, inicialmente, pois este costume não é de seu conhecimento. Prefere cumprimentar aquele “açudão” agitado, que mais se assemelha a um boi enfurecido. Tempos de criança reaparecem em questão de alguns segundos na sua mente, quando brinca, inocentemente, com a água. Chuta, corre, cai e mergulha... Da pele seca castigada pelo sol sertanejo, ressurge a camada encharcada e salina, brilhante como o luar sertanejo. E as ondas vêm e vão, assim como a seca, assim como a plantação. E, enquanto brinca com a água, momentos peculiares são apagados, como por exemplo, os dias em que teve que aboiar gados secos e quase mortos, pelo chão tórrido do sertão, à procura de uma poça de lama e de um resto do subnitrato do pó de um capim seco. E os gados mugiam tristes, pareciam lamentar insistentemente pela vida. Mas, ao ver as algas verdes, lembrou da época em que a chuva abençoava o seu querido pedaço de chão, trazendo com ela, as boas novas da esperança. Mas, por que será que todo sertanejo tem um fascínio pelo mar? Talvez pelo fato de o mar trazer com ele vestígios de um mundo inimaginável e ininteligível, algo semelhante ao paraíso. Mas acredito mesmo que seja pelo fato de o oceano ser sinônimo de paz. Azul-esverdeado ou verde-azulado... lembra céu num dia de sol... lembra paz! Movimento intermitente de ondas, também lembra paz! Porque a paz não é a constância e sim a inconstância dinâmica da vida! E, assim, o sertanejo volta para o seu sertão, local de lembranças infindas, com a lembrança inesquecível de um dia poder ter entregado a sua alma ao mar.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

No horizonte

Respiro o doce dos teus olhos
quando a falta tua
inspira em mim
a quase indissolúvel saudade

Prazer imenso tenho ao inalar a cor azul
do teu sorriso
no riso
nu

Rio minha canção
na tua música
E sorrio meus beijos
em teu coração

Corro ao vento,
suspiro o desejo,
degusto o tempo,
e te faço um solfejo

E assim vivo livre
preso ao sentimento
que me prende
livre em teus braços!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

O crescendo

A semente já havia germinado,
mas, por desvios do caminho,
enzimas interromperam
o seu crescimento.

A semente foi crescendo,
aos poucos,
forte,
e linda!

Hoje,
é uma arvore dentro de mim
à dispersar teu sabor,
teu fulgor,
tuas sementes
num ciclo fechado
dentro de mim!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Breve conversa com o tempo

Hoje à tarde
Fiquei de prosa com o tempo.
Rimos como velhos amigos,
Como novos,
Como eternos.

E hoje o amor
Estremece, mais uma vez,
As paredes do meu coração.

E,
Por intermédio do tempo,
Marquei um encontro
Com o amor
No futuro!