domingo, 20 de outubro de 2013

Pigmentos

Às vezes é necessário ir
Quando tudo diz não vá
Mesmo quando a alma diz
Mesmo quando se quer
Estar.

Não se sabe nada
Mas só o tempo revela
O tempo que se tem
E que ainda não foi
Pintura
Na tela

É a dor e a delícia
Da obra fictícia
Tão real no sabor
Quão sabor surreal

Nos segundos, é material
Quem sabe o final?
Eternidade
Sala de arte moderna
Da saudade

domingo, 11 de agosto de 2013

Da minha pedra rolante

Daquela nota
fiz bola de meia
novelo de lã
peladas tantas
tornou-se bolota

Bolota ficou
Perdendo a linha
No abismo caiu
Tornou-se bolinha

Bolinha de gude
Também de papel
Bolinha de chiclete
Gruda até no céu

No céu ela voa
e nunca encerra
Gruda tanta coisa
Até virar Terra

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Oh let's go back to the start

Você lembra da inocência
e da veemência
que nos atingiu
e atraiu?

E da semente
que cresceu entre nós
A sós
de repente?

Da descoberta incrível
do que era evidente
da vontade de ter
sem saber?

Dos desejos aflitos
ditos e não ditos
da sofreguidão dos corpos
na festa dos risos?

Da extravasão do prazer
no suor estreito
do seu riso
no meu peito?

Se os anos voltassem
haveria um calendário só nosso
onde cada dia
seria o dia
do meu amor por você;
onde cada novo ano
estaria junto a ti
a te provar
que nada esqueci

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Meu mosaico seu

Ainda é você quando eu olho no espelho
e ainda me sinto leve
mesmo que breve
mas ainda te vejo

As notas que surgem
entre os meus dedos
ainda são aquelas
tão belas
que ouviste

As canções ainda tocam
e me tocam
talvez não saibas
tocá-las
mas te tocariam
se acaso tocassem
para ti

Teus olhos enxergo
ao fechar os olhos
que com paixão olham
e admiram
o esplendor daquele sorriso

No riso transparece
a bondade do afeto
de braços abertos
o amor entorpece

E então meu sonho acaba
quando acordo com o seu beijo
e então não tarda
o meu espelho
as minhas notas
as minhas canções
os meus olhos
serem você

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Perdoa o meu silêncio

Quando deveria
não disse as tais palavras que eram para você
Tão simples seria
talvez até faria
você entender
que simples seria
se pudéssemos ser.

Embriagado pelo orgulho
pela dor e pela negação
disse não
e não disse
e como se não visse
aceitei tudo
até a separação.

E o esforço estava perdido
de nada servia
todo o amor despendido
agora era ferida
a palavra proferida
a jura de uma vida
era pó que se esvaia.

Mas as tais palavras
que precisavam ser ditas
permanecem aflitas
na ânsia de chegar até você.
Quer saber?
Olha a lua:
ela irá te dizer!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Do novo andar


Atravesso a linha
Que separa o breu do clarão
Com a certeza do passo dado
Com os pés firmes no chão
Sem o riso, sem o fardo
Sem tu, que não és minha.

Com a emoção ferida
O pranto escorre
Por entre as fissuras invisíveis
Da minha face
Só para mostrar
O inevitável
E não transparecer
O óbvio
Amor

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O sétimo sentido


Uma voz veio me dizer
Que lá você estaria
Corri como um louco
Com a sede de ouvir a tua voz
Mas lá você não estava
E, mesmo frustrado,
Fiquei pensando
O quão bom seria
Te ver
E falar com você novamente
O quão bom seria
Dar risada de suas besteiras
E falar besteiras
Como se nunca tivéssemos nos separado
Como se os anos não tivessem passado
E perceber o quão bom é
Aquilo que nos uniu:
O tempo

‘till the end of time