sexta-feira, 31 de maio de 2013

Meu mosaico seu

Ainda é você quando eu olho no espelho
e ainda me sinto leve
mesmo que breve
mas ainda te vejo

As notas que surgem
entre os meus dedos
ainda são aquelas
tão belas
que ouviste

As canções ainda tocam
e me tocam
talvez não saibas
tocá-las
mas te tocariam
se acaso tocassem
para ti

Teus olhos enxergo
ao fechar os olhos
que com paixão olham
e admiram
o esplendor daquele sorriso

No riso transparece
a bondade do afeto
de braços abertos
o amor entorpece

E então meu sonho acaba
quando acordo com o seu beijo
e então não tarda
o meu espelho
as minhas notas
as minhas canções
os meus olhos
serem você

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Perdoa o meu silêncio

Quando deveria
não disse as tais palavras que eram para você
Tão simples seria
talvez até faria
você entender
que simples seria
se pudéssemos ser.

Embriagado pelo orgulho
pela dor e pela negação
disse não
e não disse
e como se não visse
aceitei tudo
até a separação.

E o esforço estava perdido
de nada servia
todo o amor despendido
agora era ferida
a palavra proferida
a jura de uma vida
era pó que se esvaia.

Mas as tais palavras
que precisavam ser ditas
permanecem aflitas
na ânsia de chegar até você.
Quer saber?
Olha a lua:
ela irá te dizer!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Do novo andar


Atravesso a linha
Que separa o breu do clarão
Com a certeza do passo dado
Com os pés firmes no chão
Sem o riso, sem o fardo
Sem tu, que não és minha.

Com a emoção ferida
O pranto escorre
Por entre as fissuras invisíveis
Da minha face
Só para mostrar
O inevitável
E não transparecer
O óbvio
Amor

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O sétimo sentido


Uma voz veio me dizer
Que lá você estaria
Corri como um louco
Com a sede de ouvir a tua voz
Mas lá você não estava
E, mesmo frustrado,
Fiquei pensando
O quão bom seria
Te ver
E falar com você novamente
O quão bom seria
Dar risada de suas besteiras
E falar besteiras
Como se nunca tivéssemos nos separado
Como se os anos não tivessem passado
E perceber o quão bom é
Aquilo que nos uniu:
O tempo

‘till the end of time

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Lôbrego desalento

E agora me encontro
Mergulhado no que mais detesto
E o que me assombra é o que mais me atinge
E leva as minhas energias ao resto

E das vibrações ideais
Sobraram as vibrações
Tão inexplicáveis
E indescritíveis

E das cores
Somaram-se todas
Mas não há soma
Não há nada

E a inexequibilidade
Tão evidente
Esmorece tudo
Até a existência do que é são

Mas não há mergulho profundo
Que o oxigênio deixe de existir:
Da fresta pequena na telha
Que cega aos olhos, caso eu veja
A cinza voará alto
E cairá novamente com a chuva
Saturando a alma
Com aquilo que é são!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Visita ao Âmago


E teus sorrisos digitais
Que um dia foram meus analógicos
Me faz querer ser ultrapassado
E tê-los para sempre reais

E teus escritos virtuais
Não mais são para mim
De tudo aquilo que é fim
Sobraram manuais

A certeza é real:
Entre calendários e paixões
Carros e caminhões
O pulsar não terá final

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pombo do horizonte


Preciso dormir.
Viajar para um mundo
do eterno sorrir

Por um segundo
horas a fio.
Profundo

Enxergar a minha felicidade;
Ver paisagens novas.
Vaidade?

Se um dia eu for
para a eternidade,
onde ninguém possa me ver,
esperar-me-á?

Se um dia eu for só lembrança
que vem com a alvorada
que aparece do nada
lembrar-me-á?

Se um dia eu for
apenas fotografia
de um dia de paz
acalmar-se-á?

São palpitações de um coração
que quer voar
para qualquer lugar
e saber que um dia
voltará



"...fly away skyline pigeon fly
towards the dreams
You've left so very far behind..."